MEMORIAL DO EMPREENDEDORISMO

Associação Comercial e Industrial de Piracicaba www.acipi.com.br

No dia da Revolução de 1932, a Acipi comemora 81 anos

Lucas Magioli
Historiador
1ª Diretoria da ACIPI em 1933 - Acervo Acipi

Primeira Diretoria da ACIPI, 1933.
Da esquerda para direita (em pé): Ermelindo del Nero; Elias Daibes; Esmeraldo Mülller; Henrique Nehring; Mário Lordello. Da direita para a esquerda (sentados): Luiz Gonzaga de Lima; André Ferraz Sampaio; Luiz Dias Gonzaga; Luiz Coury; Terenzio Galezi; Coronel Manoel Ignácio da Motta Pacheco.

Há 81 anos, agricultores, comerciantes e industriais da cidade se reuniram, no antigo teatro Santo Estevam, com o objetivo de criar uma associação de classe empresarial onde pudessem representá-los nas mais diversas causas. Assim, naquele dia 9 de julho de 1933, exatamente um ano após a principal guerra civil no país, a Revolução Constitucionalista de 1932, foi fundada a antiga Aciapi – Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Piracicaba, que, mais tarde, se tornaria Acipi – Associação Comercial e Industrial de Piracicaba.

A Acipi e a Revolução de 32:

Abalados com a quebra da bolsa em Nova York, 1929, e endividados com os altos juros dos empréstimos feitos para salvar a safra, cafeicultores e agricultores paulistas sentiram-se desfavorecidos diante da competitividade externa que começava ganhar corpo no Brasil. Somando-se, ainda, a queda do governo oligárquico com o fim do governo “café com leite”, após o golpe em 1930, a elite paulistana desaprovava o novo sistema do “Governo Provisório” de Getúlio Vargas.

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Voluntários paulistas em 1932

Diante disso, os agricultores decidiram se organizar e reivindicar com maior agilidade a reforma na constituição brasileira. Em 1932, após uma série de manifestações contra o governo, foram assassinados quatro jovens (Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo) no dia 23 de maio, o que acabou resultando no movimento chamado de M.M.D.C. A partir dali, a guerra dos paulistas contra o governo federal iniciou no dia 9 de julho daquele ano.

Os paulistas receberam apoio do PRP (Partido Republicano Paulista), que, por sua vez, era simpatizante dos cafeicultores, assim como Luiz Dias Gonzaga, o primeiro presidente da Acipi, em 1933.

Gonzaga foi prefeito de Piracicaba por quatro oportunidades: de 1930 a 1931, em 1932, de 1936 a 1938 e de 1948 a 1950. O primeiro presidente da Acipi era um prefeito a modo dos coronéis perrepistas: autônomo e controlador, como eram identificados os membros do partido na época. Diretamente afetado pela Revolução de 1932, quando esteve à frente da Prefeitura Municipal, recebeu, em 1933, a oportunidade de colaborar para a inauguração da Acipi, conforme ocorreu no extinto teatro Santo Estevam.

A discreta relação de Gonzaga com o movimento dos paulistas diante da revolta, rendeu, apenas, a criação do monumento em homenagem aos voluntários de 32 enquanto era prefeito, na antiga praça Sete de Setembro, atual praça José Bonifácio, em 1938.

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Teatro Santo Estevam. Acervo do IHGP (Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba)

A Acipi não foi criada obrigatoriamente por conta da revolução, como também não existe nenhum registro que comprove a intensão da entidade ser inaugurada no dia de comemoração da revolta. Porém, o marco da fundação da entidade está entrelaçado pela história com esse grande acontecimento do nosso país. Sua criação foi inspirada pelos mesmos ideais de transformação e inovação. 

As homenagens ao acontecimento de maior orgulho dos paulistas são mencionadas a cada novo aniversário da Associação, a exemplo do ocorrido no ato de fundação da entidade, no dia 9 de julho de 1933, e registrado no principal documento da história da Acipi, a sua primeira ata:

Reaberta a sessão, o sr. Presidente (Moacyr Amaral Santos presidente provisório da sessão) propoz que se prestassem homenagens aos soldados que tombaram no campo de luta, na revolução constitucionalista, permanecendo por espaço de um minuto a assembleia toda de pé, em silêncio.”

Mais detalhes sobre a fundação da Acipi podem ser encontrados no Memorial do Empreendedorismo, instalada em sua sede na rua do Rosário, 700, Centro.

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Publicado em julho 8, 2014 por e marcado , .
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