MEMORIAL DO EMPREENDEDORISMO

Associação Comercial e Industrial de Piracicaba www.acipi.com.br

A Porta Larga

Lucas Magioli
Historiador

Muitas empresas, em segmentos distintos, marcaram, em diferentes épocas, o cotidiano das famílias piracicabanas. Assim aconteceu com a Fábrica de Bebidas Orlando (1913), tendo como principais produtos a Gengi-birra e a Etubaína, com os doces caseiros da fabrica Martini (1931), e, ainda, com as cachaças da Tatuzinho (1909) e Cavalinho (1904), das famílias D’Abronzo e Carmignani, respectivamente.

No setor do comércio, a loja de esportes Raya (1909) e a loja de presentes Ao Cardilli (1949), por exemplo, também fazem parte de um processo de formação da identidade empresarial da cidade. Porém, talvez, nenhuma grande loja teve tamanha competência de evoluir de acordo com o desenvolvimento da cidade, e de ter conquistado a confiança do consumidor local por várias gerações, como a loja de departamentos: À Porta Larga.

Loja do sol

Loja A Porta Larga no antigo imóvel, esquina do lado direito da rua Moraes Barros. Início do séc. XX. IHGP – Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba.

A história da empresa tem início em 1884, quando foi aberta uma sapataria, na antiga rua do Commercio, esquina com a rua Direita, atuais ruas Governador Pedro de Toledo e Moraes Barros, com o nome de Porta Larga, por Eduardo de Paula Carvalho. A loja passou por outro proprietário, José B. de Camargo, quando os produtos já eram mais diversificados, em 1887. Conforme demonstra o anúncio de 27 de outubro de 1905, do Jornal de Piracicaba:

PROPAGANDA - PORTA LARGA

Na Porta Larga. “Estabelecimento especial de ferragens, louças, materiais para construção, artigos para lavoura, etc., etc., ha sempre excelente sortimento e por preços baratos, experimentem e verão.” Camargo & Irmão. Piracicaba. Jornal de Piracicaba, 27 de outubro de 1905.

A família Maluf, liderada por Phelipe Zaidan Maluf, adquiri a loja À Porta Larga em 1921, quando ainda estava localizada na rua da “Governador” com a “Moraes”, na calçada oposta ao imóvel em que a loja evoluiu e encerrou suas atividades, em 2006. A família Maluf expandiu a loja e preferiu atacar o setor de departamentos, se especializando em comércio de tecidos e vestuários. 

pORTA LARGA

Anúncio especial de aniversário da A Porta Larga. Jornal de Piracicaba, 15 de agosto de 1965.

Zaidan, proprietário da Porta Larga, faleceu em acidente de automóvel, em 1947. Em 1963, a viúva de Zaidan, Alzira Maluf, cedeu parte que pertencia da loja, que era dividida entre Zaidan e mais três cunhados, aos seus filhos, entre eles, Salim Phelippe Maluf. Os irmãos Maluf foram os responsáveis pela expansão dos negócios e, a partir de 1985, chegaram a elevar o espaço físico da loja a 4.300m².

Salim P. Maluf tornou-se um dos principais nomes de liderança em discussões sobre as melhorias do comércio local. Por merecimento, entre 1965 e 1967, Maluf exerceu o cargo de presidente da ACIPI – Associação Comercial e Industrial de Piracicaba.

Entre os feitos de Salim Maluf no comando da associação, são destaques: Transparência e aproximação dos associados com a associação, incluindo o Jantar dos Associados; reivindicação para o emplacamento das ruas e casas da área central; solicitação ao governador do Estado, Laudo Natel, para instalação da Escola de Engenharia em Piracicaba; mudança no estatuto social: ACIAPI – Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Piracicaba para ACIPI (saiba mais sobre as reformas do estatuto da Acipi, clicando aqui); entre outros feitos.

porta larga

Portalarga, referencial na esquina da rua “Governador” com a “Moraes”. Final da década de 90.

Salim Maluf faleceu em 2006, mesmo ano em que a “Portalarga” – logomarca utilizada a partir de 1992, fechou as portas. Ainda em 2006, ano da morte de Maluf, a ACIPI presta uma grande homenagem ao um dos maiores empreendedores da cidade, nomeando Salim Phelippe Maluf como nome do prédio anexo da associação.

___________________

ACIPI – 80 ANOS, Angela Furlan Nolasco;

Jornal de Piracicaba. 

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Um comentário em “A Porta Larga

  1. Márcio Prado de Oliveira
    outubro 23, 2015

    Sr. Salim Maluf, foi uma grande personalidade, pessoa simples, de grande sabedoria, sempre gentil com todos, hábil comerciante, ético, excelente pai e um grande exemplo à ser seguido, foi uma honra tê-lo como amigo, me ajudou muito, quando resolvi mudar de ramo, me indicou para um grande empresário de Tietê, que me abriu as portas, e pude iniciar meu novo negócio, que prosperou e me traz muitas alegrias atualmente, Sr. Salim, ficará para sempre em nossos corações e mentes, lembro-me dele, sempre com muito carinho e grande saudades

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Publicado em fevereiro 17, 2014 por .
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